se chorar beba a lágrima
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c. calado, 21

do silêncio às artérias, ao céu e o pálido ponto azul


Wednesday, 23 Jul, 2014
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oba, oba, she’s my xuxu, and she knows that i’m her xuxu

Wednesday, 23 Jul, 2014
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Wednesday, 23 Jul, 2014
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Tuesday, 22 Jul, 2014
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Anonymous: Qual a diferença entre matéria e anti-matéria?

a diferença é exatamente que a anti-matéria é o oposto da matéria, uai ahahaha assim, sabe quando você aprendeu lá no primeiro ano do médio que, em um átomo, elétrons têm carga negativa e prótons positiva? na anti-matéria, elétrons têm carga positiva e prótons têm carga negativa, logo matéria e anti-matéria em um mesmo ambiente se anulam (explicar quântica é uma bosta, mas acho que você pegou)

Tuesday, 22 Jul, 2014
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Uma pequena memória ou Da primeira aurora: uma carta ao homem sem tempo

Houve um tempo antes da existência do próprio tempo em que o universo era um silêncio distorcido e indefinido, um imenso vácuo faiscando matéria e anti-matéria, pulsando e retrocedendo energia e desconhecido. Antes do Big Bang, das estrelas, planetas ou seres humanos: havia o Nada, o Caos e a Imensidão.

Tudo era a ausência: e a displicência do minúsculo, como um músculo invisível e frenético. O resto - todo o resto - nasceu de um erro matemático. Uma pequenina assimetria na formação de matéria e anti-matéria: uma partícula a mais da primeira para cada um bilhão de pares formados (os pares se anularam e sobraram os excessos). 

Não suficiente em sermos um indivíduo entre sete bilhões de indivíduos, de uma espécie entre três milhões de espécies, em um planeta que gira ao redor de uma estrela entre cem bilhões de estrelas, em uma galáxia entre duzentas bilhões de galáxias, em um dos universos possíveis e que vai desaparecer, somos também o resultado de um deslize cósmico.

Seria cômico, meu ratinho curioso, se a consciência não tivesse o peso do que se sente - e o que sinto é demasiado inefável.

Naquele tempo antes da existência do próprio tempo, antes da cabeça do alfinete e da energia condensada, muito pouco, muito pouquíssimo mesmo antes da criação de tudo o que é o universo, antes da explosão que foi o princípio - veja você que origens são, de fato, espetacularmente babélicas e belicosas -, houve a primeira aurora. A primeira luz. E ela, a primeira luz, fez-se pelo silêncio.

Foi grandioso, foi sensorial: um brilho tão enorme correndo e trazendo atrás de si tudo o que seria - tudo o que já era - o nosso, de todos nós, o nosso, de todo o tudo, nascimento.

No primeiro instante, foi-nos dada a luz.

Essa primeira aurora se estende desde o princípio até nós, ratinho curioso. Dizem a ciência, a física, a razão e a lógica, que em micro-ondas. Se você ligar a tv em um daqueles canais que são pura estática, um por cento dessa estática provém dessas micro-ondas cósmicas que em algum momento foram o nascimento do universo, treze bilhões de anos atrás.

Ligue o aparelho. Apague as lâmpadas - pequenos vácuos do nosso dia a dia - e contemple a solidão e continuidade da nossa história.

Eu te desejo, sobretudo, a Existência.

Claudia

Saturday, 19 Jul, 2014
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Friday, 18 Jul, 2014
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"Eu costumava conversar a sós com você depois que você partiu. Eu costumava falar com você o tempo todo, mesmo estando sozinha. Conversei com você por meses a fio. Agora, não sei o que dizer. Era mais fácil quando eu apenas o imaginava. Eu até imaginava que você me respondia. Tínhamos longas conversas. Só nós dois. Era como se você realmente estivesse comigo. Eu o via, sentia seu cheiro. Eu podia ouvir sua voz. Às vezes, sua voz me acordava. Acordava-me no meio da noite, como se você estivesse no quarto comigo. Depois, isso foi lentamente acabando. Já não podia mais imaginar você. Tentei falar em voz alta com você, como sempre fazia, mas não havia nada lá. Já não podia mais ouvi-lo. Então, eu apenas desisti. Tudo acabou. E você simplesmente desapareceu."

— Paris, Texas (Wim Wenders)

Friday, 18 Jul, 2014
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e casablanca, anônimo. eu assistiria casablanca mil vezes, senti culpa por não ter lembrado.

e um corpo que cai

e ok

Friday, 18 Jul, 2014
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Anonymous: 26:Quais filmes você poderia assistir mais e mais e ainda sim o amar?

a árvore da vida, persona, a paixão de joana d’arc, ondas do destino, magnólia, asas do desejo, 2001: uma odisseia no espaço, o gabinete do dr caligari (o de 1920), amor à flor da pele, e noites de cabíria

Friday, 18 Jul, 2014
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Friday, 18 Jul, 2014
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Friday, 18 Jul, 2014
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Quando penso nas histórias paralelas, penso em Erick. 

Erick, que nunca saberá que o penso.

(Ou que talvez saiba e inconsciente seja eu.)

Aos 21, aprendi a amar a distância e à distância. Aprendi, acima, a admitir que amo. E a perceber a pureza de tal amor.

Erick tem estudado filosofia em excesso, como fazia eu mesma quatro anos atrás. Naquela época, ele tirava o Malboro do bolso e balançava a carteira diante dos meus olhos, apontava Nietzsche em meu colo e dizia: Não seja tão boba, Claudia, nossas almas já são suficientemente rebeldes, vamos ler sobre Buda e descobrir, quem sabe, os fundamentos da paciência.

Eu tenho fumado e dialogado demais, como fazia Erick quatro anos atrás. Naquela época, nós parávamos para observar o engarrafamento da Fernandes Lima às 18h. Eu dizia sobre como as coisas, aos poucos, ruíam em mim e como isso me assustava: como eu tinha medo de não encontrar minhas próprias mãos se tentasse juntá-las para rezar.

O sol se punha ao nosso lado, não às nossas costas. E essas, sim, são as lembranças verdadeiramente delicadas.

Incrível é como somos, Erick e eu, o avesso um do outro. Sempre exatos e jamais intactos. Sempre extremistas, intimistas, suavemente abstratos. Nunca à mesma hora. Anoiteço, Erick acorda. Renasço, Erick chora - diminui, encasula, tudo em minhas bordas.

O estranho do adeus é poder olhar para trás mas não poder voltar, nem mesmo para sussurrar: ei, fique firme. É observar as sombras e só ser visto como sombra, e saber que ainda nesse ver-de-sombra há tanto reconhecido.

Olhos reconhecidos.

Gestos reconhecidos.

Cheiro, espessura, músculos, voz.

Amar ao passado é sincero demais.

Claudia

daughter-of-odin:

Don’t blink.

Friday, 18 Jul, 2014
via paralisou
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daughter-of-odin:

Don’t blink.
Friday, 18 Jul, 2014
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fonte nomadismo
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teoria dos nós

perdi anos a tentar entender o amor como arte matemática
li e reli a carta que são paulo escreveu aos coríntios / ouvi escondido as palavras meigas de duas árvores no recato / escutei no peito de quem amei o som do acordar numa manhã de orvalho
tudo isto me fez tornar observador matemático
à procura de cada equivalente na peregrinação solitária dos amantes
às vezes observava a maravilhosa transformação de uma rua caiada de preto em luz
o rosto de uma mulher perdendo as faces negras
e apesar de tudo a incompreensão continuava vigilante
vezes seguidas encontrei corações adormecidos a destecer a teia que os prendia
via o clarão mais luminoso a ensaiar no escuro o desamor
lia as crónicas de todos esses apagamentos
os barcos amarrados no fundeadouro partindo à primeira tempestade / as romagens iniciando-se ainda sem a história de um primeiro milagre / amores partindo sem guardar saudade
tudo pouco matemático
demasiadamente descuidado

vou continuar a perder anos sem esperança
todas as noites me deitarei em convulsão 
phi raízes quadradas e números de ouro sobre os olhos
adormecerei sem a compreensão de são paulo perdido nos caminhos caudalosos para à cidade
nenhuma lógica se fará quotidiana
nesta conta serei número ausente do meu próprio monólogo 
serão poucos os dias em que me perderei a esquecer
como é difícil unir os caminhos da terra para os rios 
o porquê de nenhum acordar me ter ensinado ainda
o segredo matemático de como entrelaçar dois fios

Friday, 18 Jul, 2014
via nomadismo
fonte nomadismo
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