vento solar e estrelas do mar
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افتح فمك فقط إن كان ما ستقوله أجمل من الصمت
open your mouth only if what you are going to say is more beautiful than silence

c. calado, 21


Monday, 1 Sep, 2014
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Para escrever, digamos que eu necessitasse, imprescindivelmente, retomar a loucura de outros tempos - quando a poesia não possuía segredos, ou possuía, mas não destes, não destes segredos cegos. Quando eu saltava de parapeitos sem receio de escalar após as quedas: não que eu não visse a queda, mas que não a medisse. Digamos que, para escrever, eu necessitasse admitir a minha ausência e os meus corações partidos, e também todas as fotografias que mofavam embaixo de minha cama - eu, que me contorço diante de imagens tristes demais, reconhecendo meus sorrisos antigos rodeados de bolor e história. Digamos que eu necessitasse tocar mais uma vez, e mais uma vez, e quantas mais fossem necessárias, naquelas cicatrizes onde a pele é demasiado fina. Onde o toque reaviva a memória, e onde sinto, como brasa, o sangue ferver.

Digamos que eu, para escrever, precisasse tornar à casa como um primogênito com os dois olhos roxos e muitos hematomas nos membros, pedindo o perdão do pai e o seio materno… Eu, diante dos meus livros, quadros, setas de duas setas, desejando uma vez mais a posse da minha arte e a nudez das minhas palavras.

Sunday, 31 Aug, 2014
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Anonymous: Tudo o que você escreve aconteceu de verdade ou você imagina os acontecimentos?

são pontos de vista aleatórios. memórias aleatórias, dois dias atrás, duas semanas atrás, dois anos atrás. ou pensamentos e ideias que de alguma forma consigo concretizar. sinto-me muito insatisfeita escrevendo ficção que não seja fundamentada em experiência

Saturday, 30 Aug, 2014
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Anonymous: Boa noite C., desculpa ser tão seco e direto, mas como sei que gosta de cinema, queria saber onde costuma assistir filmes na internet. Quero ver 'Amor Fora da Lei' e não encontro. Sabe onde posso assistir?

eu não tenho o hábito de assistir filmes online, não há muitos sites com uma qualidade de imagem boa. então, eu dei uma olhada e há vários torrents desse filme disponíveis. recomendo esse porque o YIFY tem arquivos confiáveis, numa qualidade maravilhosa e que não pesam muito: http://kickass.to/ain-t-them-bodies-saints-2013-1080p-brrip-x264-yify-t8305434.html

Alejandro Zambra, “Formas de voltar para casa”

Saturday, 30 Aug, 2014
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Alejandro Zambra, “Formas de voltar para casa”
Saturday, 30 Aug, 2014
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(Ser. Até o Ser bastar. Dos olhos às mãos, do sexo ao calcanhar. Inteira. Até o Ser em meu corpo semear. Completa. Complexa. Sem segredos maiores - além de ser.)

-

Um broto fértil acima do meu umbigo. Foi onde Pablo tocou e disse, “você é uma dessas mulheres com raízes profundas demais, e isso não quer dizer que seja fixa ou inflexível; essas raízes fazem com que você erga e estenda galhos, ramos, flores-cardeais, muito depois do próprio tronco”.

Eu toquei as pontas de meus dedos esquerdos nas pontas dos direitos. Inspirei devagar, dez segundos, e soltei ao ar como se girasse uma chave antiga em uma fechadura oxidada, entendendo que a liberdade sempre foi um tanto quanto metálica. Eu caminhei descalça sobre um chão de terra vermelha, marcando nos pés brancos e no solo barroso a dupla-pegada da existência. Nada aqui é intocado. Ou intocável. Eu ergui os olhos fechados para qualquer ponto no céu, e soube que me voltava duas vezes, naquele segundo, para a eternidade.

Senti tanto de mim mesma a ponto de chorar.

C.

Saturday, 30 Aug, 2014
via luzdosertao
fonte colecionadordepoesia
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"MEU EPITÁFIO

Morta… serei árvore
Serei tronco, serei fronde
E minhas raízes
Enlaçadas às pedras de meu berço
são as cordas que brotam de uma lira.

Enfeitei de folhas verdes
A pedra de meu túmulo
num simbolismo
de vida vegetal.

Não morre aquele
que deixou na terra
a melodia de seu cântico
na música de seus versos."

— Cora Coralina

Saturday, 30 Aug, 2014
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Reminder | Mumford and Sons

So watch the world tear us apart / a stoic mind and a bleeding heart / (you’ll never see my bleeding heart)

Wednesday, 27 Aug, 2014
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Anonymous: O que você acha da apatia? Como receber doses de anestesia todos os dias, não sentir a própria existência... Um eu perdido...o que acha disso tudo? Você se sente e sabe o que é? Se sente pertencente a algo?

acho complexo. creio que nada te maltrate mais de uma vez sem a sua permissão. se há uma dose de anestesia, 1. ela é injetada pelas suas mãos ou 2. ela é injetada por um fator externo que, como disse, a partir da segunda vez só o poderia fazer com a sua aceitação. as pessoas se isentam muito da responsabilidade daquilo que se tornam e essa inconsciência, me parece, faz com que persistam em certo ciclo venenoso e vicioso. mas não estou apta a falar demais, são minhas suposições a partir do que vejo e do que experiencio(ei)

sinto-me, em todas as proporções. e em cada uma delas, tenho a clareza de que sou muito pertencente a mim

(ps: questionaram-me uma vez sobre a apatia, caso tenha sido você e queira conversar melhor e com mais privacidade, meu e-mail é c.calado@live.com)

Wednesday, 27 Aug, 2014
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Anonymous: Lune, dia destes escrevi uma carta para você. Não enviei. Espero de que o carinho chegue, mesmo em demora. Tempo que não te perturbo. Quais são as cores (sempre estas) que não saem dos cabelos? E tinha um livro que eu disse: "Apenas da Lune..." Agora não me lembro bem.

chegará, tenho certeza. LA me disse que ontem que algumas cartas têm aquela essência de estrela (você as recebe e lê e sente, ainda que o impulso de terem sido escritas não esteja mais em sua origem). veja bem… aguardo. também tenho coisas guardadas para você, étoile

Wednesday, 27 Aug, 2014
via vesnus
fonte nevver
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Wednesday, 27 Aug, 2014
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Anonymous: ontem senti algo que me fez lembrar você. à princípio achei que era sono, mas era algo referente ao que sentia por você. faz tempo que não conversamos, nem sei se tu lembras de mim. mas ontem senti algo que me fez lembrar você, e não era sono. se cuida, Claus. beijo na alma.

eu agradeço pelo carinho. acho que quando lembramos de alguém, dedicamos algum tempo da lembrança desejando cuidado (“oh, mas espero que fulano esteja bem…”). e não é que ser lembrado dá uma aquecidinha no peito, hum? cuide-se também, eu esqueço nomes, mas recordo pessoas. cheiro!

Wednesday, 27 Aug, 2014
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Anonymous: Clau, te mandei um email. Sai do whatsapp. Me sinto feliz. L.A.

eu vi, meu querido, eu vi! logo o responderei. creio que haja um processo de iluminação em ti, uma certa compreensão do passado que nos leva ao equilíbrio (ou ao que nos parece o equilíbrio, aceitação). persista. beijo!

Wednesday, 27 Aug, 2014
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Anonymous: A insustentável leveza das coisas?

a insustentável leveza do ser. sorry. parapráxis, semana passada rolou um congresso do qual participei e uma das palestras tinha esse nome (relacionava kundera a n assuntos)

Monday, 25 Aug, 2014
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Willer toca o chão com a ponta da bengala. Repetidas vezes, direções diversas. Não sabe como atravessar o estacionamento do ICHCA. São dezoito e trinta, a universidade escureceu. Eu o vejo do gramado que divide a pista principal da universidade em duas mãos. Cogito. Exito. Olho para os dois lados e atravesso a faixa direta, paro a um metro de onde ele está. Não digo nada. Não diz nada. Uma ruga em sua testa, novamente a bengala raspando o chão - a calçada, o canteiro, a rachadura de um bueiro. Sinto que tocar ao outro é sempre desafiador e grandioso, e não o digo por Willer somente. Por sermos humanos demais, sensíveis demais. Táteis, submissos e submersos em pele. Muito acanhada, pergunto se ele quer ajuda. A minha voz soa mais mansa do que normalmente. Willer tem os olhos surpresos por meio segundo. Diz que sim. Tomo sua mão, ele balança a cabeça, “é mais simples se eu me guiar pelo seu ombro”. Rio sem jeito. Parece que ele entende. Paro ao seu lado. Põe os dedos sobre meu ombro, sorri e comenta, “está mesmo fazendo frio, não é?”. Lembro que estou vestindo um casaco. Havia esquecido. Voltamos pela faixa direita, cruzamos o gramado, então a faixa esquerda, uma calçada. Descubro seu nome, descobre o meu. Cursa História, tem afeto pelos egípcios, sua irmã é wicca e a mãe cristã - há um pentagrama e uma cruz em um mesmo cordão preso ao pescoço; segura aos pingentes entre os dedos, às vezes - estuda partitura em braile, começou a ter interesse em música quando perdeu a visão aos vinte e dois anos e sofreu de uma depressão profunda e inquieta. Digo que toco violino, responde que tenho mesmo “dedos finos”. Pergunto como ele faria para tocar uma peça de várias páginas. “Eu decoro, Claudia. Não ache triste, não faz mal; você aprende a temer um pouco menos a distância entre o conhecido, que é o desconhecido.” Ainda que tentasse, não poderia achar triste. Parei o ônibus que Willer disse que lhe serviria. Segui pela calçada abotoando os botões do casaco, entendendo que colisões podem ser mesmo bem gentis.

C.

Monday, 25 Aug, 2014
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Anonymous: Quais seus livros favoritos?

uma aprendizagem ou o livro dos prazeres, lispector (e a paixão segundo gh)

a insustentável leveza das coisas, kundera

eu sou o mensageiro, zusak

o dia do curinga, gaarder

capitães da areia, amado

meu pé de laranja lima, mauro de vasconcelos

a coleção de em busca do tempo perdido, proust

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